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Propósito no Trabalho – Qual é o seu chamado?

Um texto inspirado no Livro: Propósito Nobre de William Damon

“A coisa mais importante que as pessoas desejam satisfazer não pode ser generalizada, porque é tão única para cada pessoa quanto o DNA de um indivíduo. Não há coisa mais bonita no universo do que a pessoa humana. O que nos difere é a trajetória da vocação que perseguimos, como os meteoritos através do céu noturno da história”.

Michael Novak

Para ser feliz, segundo o poeta Cyprian Norwid “as pessoas deveriam ter: a) algo para que viver, b) algo pelo que viver e c) algo pelo qual morrer. A falta de um desses resultaria em drama. A falta de dois, resultaria em tragédia.”

Com base nessa citação e, segundo William Damon, “além de nossas necessidades humanas de sustentar e reproduzir nossos corpos, nós, humanos, prosperamos quando também atendemos a duas necessidades de nível superior que a ciência psicológica de hoje valoriza cada vez mais: nossa necessidade de pertencer e nossa necessidade de significado, para fins nobres.”

O post de hoje é para trazermos foco para a nossa necessidade de ter significado em nossas vidas. Um significado maior, um propósito, a serviço de que estamos nesse mundo? Quantas vezes já não nos questionamos sobre o que nutre nossa essência? O que essas questões nos fazem refletir?

Segundo o autor William Damon, a palavra “chamado” soa como algo tão grandioso, que muitas pessoas temem que nunca se aplique a elas. Quando questionadas sobre qual é sua vocação, elas podem responder “encanador”, “motorista de táxi”, “dona de casa”, “empresário” e assim por diante. Ainda assim, essas pessoas podem também dizer algo como: “Mas é apenas um trabalho, eu não acho que seja uma verdadeira vocação”. Essas pessoas podem ficar surpresas em saber que, pelo menos linguisticamente, dizer que você tem uma vocação significa o mesmo que dizer que você tem um chamado: o termo “vocação” vem do latim vocatio, “ser chamado”.

Nesse raciocínio, o significado original da palavra “vocação” funcionaria como um indicador de que sempre está em nosso poder transformar nossos trabalhos em verdadeiras vocações.

Refletindo sobre os chamados dos seres humanos, o autor nos convida ao seguinte olhar: “Todos os indivíduos têm seus chamados particulares, refletindo três realidades: (1) suas próprias habilidades; (2) a necessidade do mundo pelos serviços que cada chamado oferece; e (3) seu prazer em servir a sociedade e o mundo da própria maneira especial de cada um. Muito parecido com qualquer propósito nobre, um chamado é significativo para o Eu e importante para o mundo além do Eu.

Damon ainda nos presenteia com a visão do teólogo cristão Frederick Buechner: “O tipo de trabalho que Deus normalmente o chama para fazer é o tipo de trabalho que você mais precisa fazer e aquele que o mundo mais precisa que seja feito… O lugar para o qual Deus o chama é o lugar onde sua profunda alegria e a profunda fome do mundo se encontram.”

Como seria pensar em seu trabalho como uma vocação ao invés de simplesmente um “emprego”? Será que isso poderia transformar toda a sua experiência nessa relação, inclusive pensando nos impactos que você pode gerar na sua própria vida e na de outras pessoas?

Esse pensamento poderia inclusive gerar maior orgulho em nossas realizações do dia-a-dia porque, ao tomar consciência de nossas reais contribuições para o bem social, talvez, atividades que antes pareciam um trabalho desmotivador poderiam se mostrar como passos preciosos no caminho para fazer a diferença na vida de outras pessoas. As tarefas comuns poderiam assumir um brilho especial. O sentimento de frustração que vem junto com os obstáculos e contratempos inevitáveis da rotina de trabalho poderiam ficar mais leves quando percebemos que o objetivo principal do nosso chamado é servir e não buscar aprovação ou outras recompensas somente para nós mesmos.

Experimentar nosso trabalho como uma vocação já é uma grande recompensa por si só. No que diz respeito a satisfação pessoal, de modo geral, essa recompensa supera e muito qualquer prêmio material que o sucesso possa trazer. Se não sentimos que nosso trabalho é uma vocação, no final, todo o nosso sucesso pode parecer superficial e insatisfatório. Vivendo nosso trabalho como um chamado, podemos encontrar o propósito nobre até mesmo na mais humilde das profissões. Esse senso de propósito nobre fará com que muitos de nossos momentos de trabalho brilhem, nos fazendo sentir realizados e preenchidos internamente.

Damon ressalta: “Este princípio se aplica a trabalhadores em empregos executivos ou operários, nos setores público ou privado e em grandes ou pequenas empresas. Aplica-se a pessoas no início de suas carreiras, a pessoas consolidadas em suas cadeiras ou àquelas que estão se aproximando da aposentadoria. E é contagiante: trabalhadores que sentem um senso de vocação inspiram outros a encontrar o significado mais profundo em seu próprio trabalho.”

O autor nos lembra que cada vez mais, as pessoas trabalham para uma causa, não apenas para viver.” Quando entrevistado, William Pollard disse que o que deu sentido ao seu trabalho foi seu objetivo de fomentar o desenvolvimento de quem trabalha em sua empresa. Ele disse: “Tenho visto as pessoas crescerem como indivíduos, em quem estão se tornando, bem como no que estão fazendo, crescerem como pais, como colaboradores em suas comunidades ou contribuintes em suas igrejas ou locais de culto ou crescerem como cidadãos saudáveis. Todas essas coisas são gratificantes para mim e trazem significado ao fato de que o trabalho resulta naquilo.”

Trabalhar por uma causa pode nos dar uma energia que nos faz não querer parar. Se a causa for nobre, a humanidade se beneficiará quando atingirmos nosso objetivo.

Segundo William, “Em uma carreira, a causa pode permanecer constante mesmo quando um trabalhador busca a melhor maneira de servir à causa. Isso pode significar adotar novas estratégias, mudar de emprego ou até mesmo mudar de carreira para descobrir o que você é chamado a fazer a serviço da causa em que acredita. Uma vocação é uma maneira muito particular de encontrar um propósito nobre em uma ocupação. Todos devemos encontrar a ocupação que melhor se adapta aos nossos talentos, porque essa sempre será a melhor maneira de atingir nossos objetivos finais.”

Às vezes, as pessoas fazem essa escolha conscientemente, com clareza de seus próprios pontos fortes e pontos que podem melhorar, em outras situações, isso é imposto a elas. Nem sempre conseguimos o que queremos na vida na primeira tentativa, e, muitas vezes, isso funciona da melhor maneira. Podemos ser recusados para um trabalho e acabar em outro que consideramos mais lucrativo e inspirador.

O autor relata que “quando era estudante, sonhava em ser jornalista, pois valorizava o propósito de descobrir a verdade e informar o público sobre ela. Logo depois de me formar na faculdade, fui entrevistado para um emprego de redator em um jornal conhecido e fui rejeitado imediatamente. Em vez disso, matriculei-me em um programa de pós-graduação em psicologia do desenvolvimento, o que me permitiu fazer exatamente o que sempre quis fazer – descobrir a verdade e escrever sobre ela de uma forma que se adequasse mais à minha inclinação para a análise científica e meu interesse pelo desenvolvimento humano em todas as suas formas. Surpreendentemente, nos últimos anos, um de meus projetos de pesquisa me levou a um envolvimento prolongado na educação em jornalismo, trazendo-me de volta de uma forma muito direta ao objeto de meu primeiro amor profissional. Os chamados funcionam de maneiras estranhas e misteriosas.”

Decepções e rejeições em uma carreira podem ser transformadas em vantagens se tivermos em mente a visão maior do nosso chamado – que devemos buscar uma vocação para toda a vida que vai além do escopo de qualquer emprego.

Nosso mundo está cheio de histórias que nos mostram isso, seja com amigos e familiares ou profissionais que admiramos pela mídia. Uma história comovente relatada nesse livro inspiração do post de hoje, é o caso de Paul Brand, que ficou conhecido pelas ferramentas profiláticas que projetou para tornar os movimentos diários dos leprosos mais seguros e fáceis. Brand cresceu como filho de missionários na Índia e sempre aspirou ao nobre propósito de curar leprosos. Mas suas aspirações foram “bloqueadas”, pelo menos temporariamente, quando ele não conseguiu entrar na faculdade de medicina. Ele conseguiu um emprego como carpinteiro e pedreiro, aprendendo uma série de habilidades de engenharia física. Mais tarde, quando finalmente conseguiu entrar na profissão médica, ele voltou essas habilidades precisas para a tarefa de criar ferramentas que pudessem ajudar os leprosos a usar melhor os dedos das mãos, dos pés e dos olhos danificados. O interlúdio forçado antes de seu treinamento médico deu a Paul Brand as habilidades de que precisava para atingir seu nobre propósito. Essa história inspiradora reforça o que o autor já nos disse: Os chamados funcionam de maneira estranha e misteriosa.

Se, ao ler esse texto, você continua se questionando sobre qual é o seu propósito no trabalho, qual é o seu chamado, talvez, como diz Buddha, seu trabalho seja descobrir o seu trabalho (aquele que é a sua vocação e verdadeiro chamado) e então, de todo o coração, se entregar a ele. Ou segundo Oprah Winfrey, “Se você não sabe qual é a sua paixão, perceba que uma das razões da sua existência na terra é encontrá-la”.

Para Richard J. Leider: “Saber quem somos, por que estamos aqui e o que vamos fazer com nossas vidas enriquece nossa jornada.”

Se você sente vontade de investigar mais profundamente qual é o seu propósito de vida, propósito no trabalho, sua essência, o seu chamado, para deixar um legado que faça sentido para você e não sabe por onde começar, conte com a YOUNIQUE para trilhar essa jornada com você!

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